Isabelle Baltenweck
Diretora Adjunta do Programa Políticas, Instituições e Meios de Subsistência
Instituto Internacional de Investigação Animal
Os pequenos agricultores produzem a maior parte do leite, em muitos países africanos. A produção de laticínios é uma fonte de subsistência para milhões de mulheres e homens, fornecendo nutrientes para a família, rendimentos pela venda de leite e outros produtos agrícolas, como o estrume. Individualmente, geram volumes baixos e são frequentemente dispersos por grandes áreas, sendo, portanto, menos atraentes para os parceiros do setor privado do agronegócio. A questão é como podem os pequenos proprietários ter acesso a produtos e serviços, aumentar a produção e as vendas, de forma a satisfazer a procura crescente de leite e produtos lácteos.
A ação coletiva dos agricultores pode criar economias de escala, tanto na comercialização de leite como no fornecimento de produtos e serviços. O conceito de centros de comercialização de laticínios tem sido usado por coletividades de proprietários ou administradores de quintas, produtores em volume e/ou refrigeradores de laticínios, em que os agricultores podem também ter acesso a outros serviços necessários para as suas empresas. Uma abordagem focada em centros começará por identificar os mecanismos organizacionais e institucionais necessários para os agricultores se reunirem (através, por exemplo, de uma cooperativa ou de uma sociedade anónima) e apoiar o grupo na sua aproximação a este estado desejado. Ao mesmo tempo, os agentes de mercado são sensibilizados e apoiados no estabelecimento de ligações comerciais com a organização de produtores. Ao trabalhar com o setor privado e ao desenvolver a capacidade dos produtores para gerir e possuir a sua organização, esta abordagem visa assegurar a sustentabilidade das ligações de mercado, quando o apoio ao projeto termina.
O Instituto Internacional de Investigação Pecuária esteve envolvido na conceção, implementação e avaliação de centros de laticínios em quatro países da África Oriental (Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda). Os fornecedores ativos de organizações de produtores, apoiados pelo Projeto de Desenvolvimento de Laticínios da África Oriental, viram a produtividade de leite, dos seus animais de raça cruzada, aumentar entre 50 e 60 por cento, dependendo dos países, com o maior aumento a ser registado no Quénia. Embora a diferença de metodologia entre a avaliação inicial e a avaliação final impeça uma comparação clara, globalmente, verificou-se um aumento do rendimento dos laticínios, em termos nominais, para os três países e em termos reais para o Uganda (entre 30% e 130%). Para que os criadores de gado tivessem acesso a longo prazo aos mercados, além de um apoio ao projeto, a equipa desenvolveu uma ferramenta que avalia os progressos da Organizações de Produtores no sentido da sustentabilidade, utilizando tanto as dimensões da produção como das empresas, por exemplo, a sua capacidade de gerir as eleições de forma regular e livre ou a capacidade dos membros das Organizações de Produtores de aceder a produtos alimentares a crédito. Uma Organização de Produtores "licencia-se" quando atinge uma determinada pontuação (60%), o que significa que o apoio externo, por parte dos parceiros de desenvolvimento, já não é necessário. Os dados mostram que, em média, uma Organização de Produtores demora 7,3 anos a chegar à "Licenciatura". Alguns locais no Quénia e na Ruanda progrediram significativamente mais rápido do que locais ugandeses, enquanto os locais pré-existentes têm evoluído muito mais rápido do que todos os outros tipos de centros.